Enter your keyword

Mahabharata e o Bhagavad Gíta


O Mahábharáta é a maior obra literária já produzida pela humanidade. Com seus 150 mil versos agrupados aos pares é maior do que a Ilíada e a Odisséia juntos, seus equivalentes gregos com cerca de l5.700 versos simples e 12.100 versos simples, respectivamente.

O Mahábharáta conta as guerras intestinas que marcaram o apogeu e o final do período medieval védico ariano. Muitos diálogos, relatos e fábulas de criaturas fabulosas, deuses e demônios, ao lado de pequenas historias de fundo moral aparecem nesta epopéia nacional.Este épico discute o valor pessoal, entre outras abordagens, ou o simples e fatal poder do curso do tempo? Qual é, a final, o fator mais decisivo?

O primeiro representado pelo herói-virya, que nunca se rende e luta contra todos os reveses e, é capaz de vencer a obstinação imposta pelo destino.

O argumento oposto, na luta vital pela sobrevivência e o êxito, é de um total fatalismo. A maioria de bravos guerreiros capitulou, no decorrer da história humana, vencida por aqueles satisfeitos com as carícias da fortuna, que ocuparam com orgulho e segurança o lugar do herói.
Essa controvérsia se depara com o poder supremo do tempo (Kala).

Em certo momento, os deuses vencem os antideuses e obtêm a vitória.Porém as marés misteriosas do tempo voltam, derrotam o herói auxiliado pelos deuses, e retomam seu poder.
Essa controvérsia na Índia nunca foi resolvida, entre aqueles que aceitam o decreto do tempo ou o destino, ou aqueles que defendem a eficácia do valor.

Parece que esta controvérsia entre o valor e o poder se estende no Bhagavad Gita.
O Bhagavad Gita foi inserido no Mahábhárata e situa-se dentro da sexta seção, desenrolando-se ao longo de 18 capítulos que somam setecentos versos duplos(shlokas).

O tema central do Gítá é o Dharma e expressa uma condição que deve ser alcançada pelo hindu por meio de suas práticas para que suas obrigações para com Deus ou com a natureza sejam cumpridas.

Estas condições obedecidas garantem a estabilidade e segurança da ordem social. Isto é o Dharma que vem da raiz DhR, que significa segurar, manter. Este conceito expressa a vida do hindu em busca permanente do que tem atributos de eternidade- o Sanathana Dharma.
O Svadharma é o dharma a ser realizado individualmente.

Embora o Yoga não tenha amadurecido como doutrina quando foi composto o Bhagavad Gita, Krishna parece defender o dharma de casta, porém baseia-se no conceito fundamental do Yoga, segundo o qual a única referência válida está dentro do coração de cada indivíduo.
A renúncia às ações era prática de um segmento social conhecido como shramanas, que tinha um perfil místico, pouco devotado às teorias. E é destas práticas shramanicas que se está falando no Bhagavad Gita.

A resposta de Krishna a Arjuna, com respeito a renunciar as ações ou praticá-las é esclarecedora para a manutenção do Dharma: “renunciamento (samnyasa) e uso (Yoga) da ação são ambas incomparáveis (em relação a outras opções), mas entre elas o uso da ação (karmayoga) se destaca”.

O elemento mais importante nas práticas do Yoga é a disciplina mental, descrito no Bhagavad Gita: “este mundo só é conquistado por aqueles cuja mente está equilibrada” (V, 19).
E mais, o Yogi é aquele que recolhe sua mente para o interior, se assenta apenas no si mesmo e se desapega dos desejos mundanos(VI, l8). Talvez, essa menção seja dirigida por àqueles renunciante liberais (shramanas) que com sua disciplina e sua bondade tratavam por igual amigos e inimigos, e traziam segurança e tranqüilidade nos momentos em que o medo ameaçava a ordem social (Dharma).

Assim, se estabeleceu o axioma na cultura hindu –satyam eva jayati (somente a verdade vence), frase estampada no brazão nacional da Índia.

Em resumo, o Yoga descrito no Gita é o processo de desapego que conquista a tranqüilidade da mente para a descoberta do si mesmo.

José Giordano
Instrutor de HathaYoga