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A batalha do Bhagavad-Gita (M. Gandhi)


“Diz-me, ó Sanyaya, que fizeram meus filhos e os filhos de Pandu, prontos para o combate, reunidos no campo de Kuru, o campo do dever.”

Bhagavad Gita, capítulo I.


Conhecimento algum pode ser alcançado sem ser buscado, nem a tranqüilidade sem que se preocupe por ela, nem a felicidade senão através de tribulações. Todo investigador, em um momento ou outro, te de sofrer um conflito entre deveres, uma conversão do coração.

O corpo humano é o campo de batalha onde se dá o eterno duelo entre o Bem e o Mal. Portanto, pode ser transformado na porta de entrada para a Liberdade. Nasceu em pecado e se converte na semente do pecado. Daí que seja chamado de campo de Kurû. Os Kauravas representa as forças do Mal, os Pandavas as forças do Bem. Quem jamais experimentou dentro de si mesmo o conflito diário entre essas forças do Mal e as do Bem?

O Gita não é um discurso histórico. Necessita-se amiúde de uma ilustração física para se demonstrar uma verdade espiritual. Isto não é a descrição de uma guerra entre primos, e sim entre nossas duas natureza – o Bem e o Mal. Eu considero Duryodhana e os seus como os baixos impulsos do homem, e Arjuna e os seus como os impulsos elevados. O campo de batalha é nosso próprio corpo. Uma eterna batalha se segue entre os dois campos, e o Poeta a descreve vividamente. Krishna é o Morador Interno, sempre sussurrando a um coração puro.

Trecho extraído do livro “Bhagavad Gita segundo Gandhi” traduzido por Norberto de Paula Lima da Editora Ícone.

Sanyaya – Nome do narrador do Bhagavad Gita, Sanyaya é ministro de do rei
Pandu – Rei que dá nome a linhagem dos Pandavas, a qual Arjuna faz parte
Kuru – Rei que dá nome a linhagem dos Kauravas, antepassado comum de Dhritarashtra e Pandu.

Campo de Kuru – Também chamdado de Kurukshetra, local próximo a moderna Delhi