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O CONTENTAMENTO (SANTOSHA)

por TARA MICHAËL

O contentamento é a capacidade do yogin de sempre extrair uma plenitude de alegria daquilo que ele tem e daquilo que ele é, sem que nenhuma provação exterior, nem qualquer dificuldade interior possa lhe tirar a serenidade. Deve apreciar aquilo que tem, encontrar o bastante no pouco que possui. Do mesmo modo que para se preservar dos espinhos basta calçar sapatos, sem que seja necessário atapetar todo o solo com couro, assim é pelo contentamento que se atinge a felicidade, e não pensando: “serei feliz quando obtiver aquilo que desejo”, pois os desejos não têm fim. Pelo contentatmento, o yogin cria dentro de si uma chama de beatitude que irradia e influencia tudo que o rodeia. Esse contentamento não deve sucumbir diante de qualquer contrariedade, e requer uma igualdade de espírito no sucesso e no fracasso, segundo o Bhagavad-Gita, capítulo II versos 55 ao 57:

“Quando um homem, ó Pârtha, expulsa de seu espírito todos os desejos, e satisfaz-se em si mesmo pelo seu próprio Ser, diz-se que está firme em sua compreensão”.

“Aquele cujo espírito não vacila na adversidade, que não procura agarrar-se aos prazeres, aquele a quem abandonaram a atração, o medo e a cólera, é sábio que está firme em sua compreensão.”

“Aquele que não é afetado por coisa alguma, boa ou má, e não odeia nem se regozija, sua sabedoria está solidamente estabelecida”

Quando o yogin não mais está à mercê das ondas de emoção que o excitam ou o deprimem, quando se mantém acima das alterações e mudanças exteriores e pode conservar um equilíbrio interior em meio aos golpes e imprevistos da vida, ele acançou a equanimidade absolutamente indispensável para atravessar ileso e vitorioso todos os obstáculos que se levantam sobre seu caminho.

Trecho extraído do livro “O Yoga” de Tara Michaël da Ed. Zahar Editores, Rio de Janeiro edição de 1976. III Capítulo “O Yoga Clássico” página 79 e 80.